Foram dias felizes, sem dúvida...
Tudo começou a 4 de Novembro... o dia em que decidi perder o amor a uns trocos e fazer o teste, depois de já ter jogado tantos testes para o lixo... o teste para saber se existias! E passados 3 minutos lá estava a tão esperada palavra grávida!
Sem saber muito bem o que pensar e o que sentir depois da verdade consumada fiquei feliz! Não tenho dúvidas que fiquei feliz.
O tempo foi passando... foste crescendo... fui fazendo as coisas como manda o protocolo... fui sendo medida nas coisas, ao contar as pessoas, a desatar a comprar coisinhas para ti... fui-me controlando...
16 de Janeiro, primeira vez que te vejo como algo realmente existente. Apaixonei-me! Apartir daquele momento, morreria por ti se fosse preciso!
27 de Março e a consulta mais complicada e decisiva... começam os problemas... afinal não está tudo bem contigo... és demasiado pequenino... mas porra... e depois? terias muito tempo para crescer cá fora! Mas afinal não era assim tão fácil... começam a falar-me de exames complicados, exames que ninguém quer fazer... e que se ainda continua-se contigo, para marcar nova consulta...
Sai em choque... tentei ser forte... tentei acreditar que os médicos estavam enganados e que tu estavas bem! Estavas perfeito!
Após longas 2 semanas de espera lá vem o resultado dos exames e nada a apontar... afinal não passavas mesmo de um bebé pequeno. Ufaa!! Que alívio! E que bom continuar a ser incomodada com os teus movimentos bruscos e pancadas de surpresa na minha barriga!!
Mas... de repente.... ligam-me para ir de urgência... para não ir sozinha... Afinal tu não estavas bem... tavas longe de estar bem... longe de seres uma pessoa minimamente saudável...
Tive que tomar a decisão mais difícil da minha vida... perder-te ou trazer-te ao mundo para seres um infeliz, que mais tarde ou mais cedo iria ficar sozinho...
Ainda nem uma semana passou... e sinto tanto a tua falta... de te sentir... e tanto que tu te mexias... chegaste a dar-me noites sem dormir por tanto de mexeres...
Custou tanto deixar-te partir... o momento em que entra uma agulha pela minha barriga e sinto que te estão a matar... custou tanto sentir-te sair de dentro de mim... meu deus como custou...
E agora?... como vou ultrapassar isto? Como te vou esquecer para conseguir viver?